sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Gegege no Kitarou (2018) - #17 e #18

Saudades de Muhyo to Rouji? Não, leitor, nenhuma.
O problema é que por enquanto não teremos Dobradinhas Sobrenaturais.

Quem sabe em breve algum anime despirocado venha fazer companhia a Kitarou, né?

Nos episódios anteriores... descobrimos que existe uma cirurgia plástica que é gratuita e não dói, mas pode te levar a perder o rosto ou virar um youkai. Depois disso, finalmente as férias de verão... "Férias" nem tanto, já que um youkai decide atacar o povo de Sakaiminato no mar!

Seria você uma princesa perdida, Bruxa da Areia?


Gegege no Kitarou (2018)
17º episódio
E OLHA QUE ELE PEGOU, PAI OLHO! E isso quase acabou com a cidade...
Opinião: Este é o último post para garantir a linguiça do churras, ENTÃO VAMOS ENCHER LINGUIÇA QUE HOJE É SEXTA-FEIRA!

Ou pelo menos era assim que eu gostaria de pensar...
O problema é que como esses episódios se passam na terra-natal de um dos meus mangakás favoritos, fica difícil enrolar na zoeira.

E aproveitando o momento...
Sabe aquele símbolo que tem a bola de beisebol so tio da Mana?
Descobri que é o símbolo da cidade de Sakaiminato!

Como? Procurando pela Mizuki Shigeru Road.
Deveria ser óbvio, mas nem sempre trabalhamos com isso por aqui.

Vocês acreditam que eles têm um site todo bonitinho e com o Pai Olho de bronze no rodapé da página? Dá para acessar em inglês, chinês (dois dialetos), coreano, russo e obviamente japonês.

Tem até um guia rápido de conversação com o dialeto próprio de Sakaiminato, o Hamaben!

Desconfio que o episódio tenha sido feito com o intuito de chamar o turismo para a "Estrada de Shigeru Mizuki", que conta com 177 estátuas de bronze que podem ser tocadas (arte que poder ser tocada é linda demais)!

Já que no final do episódio, o povo da cidade decide homenagear a patota do Kitarou com estátuas de bronze (e também para o Kani-Bozu não se sentir solitário).

Podemos considerar a linguiça enchida esta semana como gourmet?
Acabei não resistindo e comecei a análise antes do corte.

Agora vamos falar sobre como em Sakaiminato É MUITO TRANQUILO topar com um youkai andando na rua. Na vida real é praticamente certo, ainda mais se você for pela "Estrada do Shigeru Mizuki".

É interessante acrescentar que à noite também dá para aproveitar o passeio, já que projetam sombras de youkais no chão. Algumas podem ser controladas com o som de palmas ou chamando pelo nome do youkai.

Na abertura, em 18 de Julho de 1993, a "estrada" era mais humilde, com apenas 23 estátuas de bronze. Obras foram feitas para alargar as calçadas e estreitar as ruas para que os carros diminuíssem a velocidade, além de um projeto de iluminação e o aumento do número de estátuas.

O projeto custou 1,3 bilhões de ienes (um pouco mais de R$ 44 milhões), sendo que 320 milhões de ienes (um pouco menos de R$ 11 milhões) foram só para a iluminação.
A "estrada" foi reinaugurada em 14 de Julho de 2018.

Ficou interessado, leitor? Leia mais em The Asahi Shimbun (em inglês).

E, claro, quem quiser saber um pouco mais do autor, pode visitar o museu Shigeru Mizuki. Sakaiminato fica na província de Tottori.

Agora falando estritamente sobre o episódio...

Interior é outra coisa, né?
Encontram uma pessoa transformada em bronze e perguntam com a maior tranquilidade ao Kitarou se aquilo é obra de youkai malvado.

INTERIOR É OUTRA COISA, LEITOR.
É lá que ainda vivem as crendices e o sobrenatural é aceito mais facilmente.

As férias divertidas da Mana e da patota youkai vão pelo ralo quando até mesmo o Ittan Momen vira estátua.

A história do Kani-Bozu não foi adaptada de nenhum capítulo do mangá na edição de 2007 da Kodansha. Aliás, uma curiosidade: os episódios estão se revezando entre adaptações do mangá e "originais".

Coloquei entre aspas, pois não sei se em outras edições existem essas histórias.

Acho muito válido o trabalho do roteirista, pois além de explorar a rica mitologia que tem em mãos, ainda aproveita para fazer merchan da cidade-natal do autor e na maioria das vezes discutir assuntos sérios.

Sempre lembrando que este é um anime que tem como público-alvo as crianças, seja no conteúdo ou no horário que é passado na TV. E é tão bonito ver o empenho de vários profissionais em passar essas boas mensagens.
Versão "humana" do Kani-Bozu que saiu tretando com todo mundo em Sakaiminato.
Não acho que esse seja um bom motivo para ficar transformando todo mundo em bronze.
Na primeira vez que vi o episódio, respondi "caranguejo" para a pergunta do Kani-Bozu e percebi que eu teria virado uma estátua de bronze.

"Oito pernas juntas, se movendo de lado, meus olhos miram o céu. Quem sou eu?" - Aí para mostrar que não estou sozinha na parada, a Mana-Gata responde siri e também vira estátua.

Segundo o Google, todo siri também é um caranguejo, mas em algumas espécies há uma diferença: as duas patas traseiras do siri são achatadas e amplas, enquanto nos caranguejos são pontiagudas.

Voltando ao Kani-Bozu tacando o terror... ou a espuma do mar...

Velho Chorão respondeu polvo e virou bronze.
Parede de Cimento respondeu centopeia e virou bronze.
Kitarou foi prestar atenção na Bruxa da Areia e virou bronze.

A youkai tinha ido atrás da bebida favorita do Rolo de Algodão (está mais para Pedação de Pano, mas ok), já que imaginaria que ele pudesse voltar ao normal se fosse banhado com ela.

Só deu tempo de pular no caminhão do tio da Mana e se mandar para casa com o Pai Olho.

IMPRESSIONANTE COMO O PAI OLHO SEMPRE CONSEGUE DAR UM JEITO DE SAIR PELA TANGENTE!

Como estão numa região que além de ser banhada pelo mar, tem montanhas, o Pai Olho lembrou dos Karasu-Tengu da montanha sagrada de Daisen.

Como o Kani-Bozu os encontrou, a Mana, a Bruxa da Areia e o Pai Olho tiveram que pegar uma carona com os corvos, pois o tio da Mana virou bronze.

o trio descobriu que:
-Karasu-Tengu não gosta de se meter em treta, seja ela humana ou youkai;
-A história do Kani-Bozu data da época Sengoku.

Aquela mesma que o Nanao tirou sarro do Kaitinho no meu post mais recente de Tsurune.
Duas gerações, dois pensamentos diferentes. O novinho salvou a Mana e ajudou contra o Kani-Bozu.
O mais velho veio com esse papo, mas acabou ajudando, depois que viu a cidade quase ser destruída.
Resumindo a história:
O youkai decidiu ajudar humanos e resolveu proteger a princesa que perdeu a guerra. Fugiu com ela para um templo abandonado e fazia a tal pergunta para saber quem era aliado ou não.

O lado vencedor contratou um monge/mago poderoso e ele selou o Kani-Bozu numa pedra, jogando-o ao mar. E infelizmente a princesa conheceu seu fim na cidade de Sakaiminato.

Por isso que dá alguma louca nele e acaba confundindo a Bruxa de Areia com a tal princesa. Na verdade, ele tinha percebido que muitos séculos tinham se passado e não queria aceitar que sua protegida estaria morta.

Vagando pelas ruas e esperando que alguém desse a resposta certa.

Com a ajuda de um Karasu-Tengu mais jovem, chamado Kojiro (que salvou a Mana de uma queda mortal nas montanhas), descobriram que a água da fonte sagrada de Daisen curava o efeito "estátua de bronze".

Como o Kani-Bozu acabou saindo do controle depois que a Bruxa da Areia deu a resposta certa e bateu a real nele, o ancião dos Tengu usou seu leque para jogar a água de Daisen na cidade e assim fazer com que todos voltassem ao normal.

"Todos" não inclui o Ômi Rato, coitado.

E depois de uma descarga elétrica do Kitarou-kachu, o Kani-Bozu se transformou em bronze e pediu para ficar na cidade onde sua princesa descansava.

Se eu babei arco-íris com o Kojiro todo envergonhado perto da Mana?
EU CHOREI GLITTER ATÉ! TÃO BONITINHO ELE, GENTE! TÃO FOFO! PODE APERTAR?

Kojiro é dublado por Daisuke Sakaguchi.
Seus principais destaques são: Shinpachi Shimura de Gintama (Hideaki Sorachi), Zeus Keraunos (criança) de Kamigami no Asobi e Leonardo Watch de Kekkai Sensen.

JÁ PODE PULAR EM CIMA E ABRAÇAR?

Eu infelizmente fico parecendo a Felícia dos Tiny Toons (Tom Ruegger).
ESSA REFERÊNCIA É TÃO VELHA, QUE MEUS JOELHOS COMEÇARAM A DOER!


Gegege no Kitarou (2018)
18º episódio
APENAS. OLHE. ESSE. ROSTINHO. MEIGO. DE CORAÇÃO. PURO!
Opinião: Este episódio é adaptação da história "Obebenuma no Youkai" do quarto volume da edição de 2007 da Kodansha.

"Obebenuma" = Pântano Obebe.

Destrinchando a história: temos o youkai Kawauso que gosta de pregar peças nos humanos e acabou encontrando uma senhora que caiu de um penhasco quando estava andando pela montanha com o marido.

Apesar da ideia errada que a história tenta nos passar, o youkai tem um bom coração e estava ajudando a mulher a se recuperar. Não, ela não seria o seu jantar.

Até porque a criatura, mesmo sendo carnívora, se alimenta de pequenos animais e peixes, gostando bastante de saquê, segundo o site do Matthew Meyer.

O marido dessa senhora também se machucou, mas acabou sendo encontrado por pessoas que o ajudaram.

Sem poder trabalhar e com a esposa desaparecida, ele acaba recebendo o auxílio da Mana-Gata que estava passando por ali para fazer algumas entregas a pedido da Bruxa da Areia.

E assim a youkai começa a trabalhar na plantação.
A imaginação da Mana é algo a ser protegido!
Gosto como neste anime vemos uma personagem feminina forte dentro da patota principal, junto com a Bruxa da Areia.

Por mais que o Kitarou sempre resolva a maioria dos problemas no final, é importante ter episódios como este que mostram a força de uma personagem como ela, que é linda, encantadora, resolvida, de bom coração e que pode a qualquer momento tirar as garras para fora e defender o que acredita e aqueles de quem ela gosta.

E também não deixa de ser feminina, mostrando que não são apenas as roupas que definem alguém, e principalmente uma mulher.

Tão lindo a Mana toda encantada com a sabedoria da Mana-Gata e da maturidade... É um sopro de sororidade num mundo ainda muito machista e que coloca as mulheres para brigarem entre si por motivos fúteis.

A admiração da Mana com a youkai é algo a ser zelado, ainda mais dentro de um shounen de lutinha. Elas são bem unidas, muito amigas e quando uma está passando por perrengue, a outra corre para ajudar.

Que foi?
Kitarou está como "shounen" no MAL e... TEM LUTINHA, CACILDA!
QUER APANHAR DE AVAIANA OU DE TAMANCA DE PAU?

O hilário é descobrir que o anime está como "comédia" também.
Miga, tem humano que até esquece de comer, que dirá do resto!
E DEPOIS VOCÊS TÊM A PACHORRA, A PACHORRA, DE DIZER QUE NÃO GOSTO DE ANIME DE COMÉDIA!

"Ainn mas Kitarou não é puramente de comédia, então não vale" - Vai rodar o dedo na esquina para ver se o Catbus* aparece, desgosto!

*Catbus: referência ao personagem "Gato-Busão" do filme Meu Vizinho Totoro do Studio Ghibli.

E se não bastasse, ainda temos a Mana-Gata falando sobre a importância de cuidar do meio ambiente e de perceber que fazemos parte de um todo, de um planeta que precisamos manter e cuidar.

Algo que infelizmente os humanos têm esquecido facilmente, se deixando levar não só pela falta de memória seletiva, como pela ganância.

Tão bonitinho ela cultivar os legumes e deixar na frente da casa do Kitarou... Só poderia parar de ser tão tsundere e revelar que era ela, né? GENTE, DERISMO NÃO AJUDA EM NADA, VAMOS LARGAR ESSA PRAGA DE LADO!

E, só para lembrar, o pessoal continua pela região de Sakaiminato, já que os pais da Mana finalmente chegaram e foram para a casa de veraneio.
Queria entender a paixão do japonês pela batata doce. Aliás, umas das especialidade de Sakaiminato, segundo o site da cidade.
No meio das montanhas.
Com a mãe usando a história de um youkai travesso no Pântano Obebe para que o marido e a filha ajudassem na limpeza do local.

Impressionante que o pai da Mana tem medo de youkai.

Como ele é de Sakaiminato, será que rolavam muitas histórias assustadoras sobre essas criaturas? Algo bem no estilo Nonnonba (Shigeru Mizuki)? Fiquei curiosa.

Outro detalhe interessante durante o episódio é na parte do flashback do Kawauso, de quando as pessoas viviam nas regiões rurais. Essa saudade e o intuito de pregar peças é uma interação que demonstra o quanto o youkai gosta do local e das pessoas (principalmente se puder atormentá-las para se divertir um pouco).

E normalmente brincadeiras de Kawauso não custavam a vida dos humanos, como poderia acontecer com Tanukis e Kitsunes.

A solidão do youkai demonstra o distanciamento das pessoas, não só com a terra-natal, mas também com as crenças e as raízes, o respeito aos ancestrais e ao que eles acreditavam.

Não quero dizer que as pessoas são obrigadas a crer para sempre em algo que já não sentem empatia ou qualquer ligação. A crítica aqui é principalmente sobre perder a sensibilidade para apreciar as pequenas coisas da vida e os presentes da natureza.

E também fica a lição: se vai mentir, pelo menos decora a história direito.

O Kawauso começou com mãe morta, pai que sai para a farra e irmãzinha, e depois pula para irmãozinho e irmãozinhos, seguindo para a mãe ressuscitada, porém, doente.

Não é algo tão à toa assim ou feito unicamente para rir.
Essa é a cara de um youkai desavisado, que não notou que estava enganando OUTRO YOUKAI.
Falou que um monte de javali estava chegando, só para ver o povo correr no desespero.
Não sei o que mais me choca, se é o clima de Casos de Família (SBT) ou a falta de reflexo da galera no vidro...
Segundo as lendas, o Kawauso se disfarça de criança humana para se aproximar dos humanos e conseguir saquê.

Muitas vezes eles se embolam na imitação ou com as diversas perguntas que os adultos fazem e acabam revelando sua verdadeira forma.

O melhor do episódio acaba sendo o desfecho: Kitarou e Pai-Olho que chegam no local por causa de uma carta sobre o Kawauso, o dito cujo fugindo a todo custo da Mana-Gata, a senhorinha voltando para casa praticamente recuperada e a Mana só observando.

Aliás, quem terá mandado essa carta?
Se ela não tivesse tantos detalhes sobre as histórias que o youkai usou para enganar os humanos, eu desconfiaria do pai da Mana.

Esse anime foi assistido na Crunchyroll.

Nos vemos no próximo post de Gegege no Kitarou (2018)!

Por Kimono Vermelho aquela que vai dormir antes das seis da manhã, pois conseguiu terminar este post a tempo! - 01/02/2019

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